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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Desenhar numa noite de Verão…



















“Psique desperta o Amor”, Agosto de 2009


Desenhar numa noite de Verão não é como desenhar numa outra noite qualquer.
As noites de Verão têm uma densidade e espessura fáceis de sentir na pele.
Tudo tem um cheiro mais intenso e dentro do atelier até a maresia me entra pelas narinas, às vezes misturada com o cheiro de uma figueira próxima, do “deodorant” de um transeunte, até de um champô num duche acabado de tomar.
Nas pessoas de quem gosto, em pretextos de um abraço ou um beijo, tudo me cheira a amêndoas doces, a alfazema, tomilho, orégãos, até a amendoins torrados, entenda-se ao sol, naquele bronze escaldão.
No tacto, tudo parece colar às mãos, como o melaço de um pêssego acabado de comer, e a humidade das coisas pressente-se, antes mesmo de qualquer toque.
Tudo isto, que mal sei explicar, é difícil de elaborar em desenho.
Procuro, mas este sentir das coisas não o consigo traçar no papel ou em tela, o que não significa que deixe de tentar.
O “Banho de Betsabé” e “Psique desperta o Amor” (disponíveis para venda) são um pouco esta tentativa, com a pena e o aparo simular a textura do ar, o aroma da pele, o arrojo de um olhar…
Dizem que à noite tudo cresce, em mim é sobretudo a imaginação que alarga os seus limites, e o aparo, esse velho riscador, ganha uma vida própria.


“Banho de Betsabé”, Fevereiro de 2009

Nuno Quaresma
Agosto de 2009