A Viagem, Autoria de Nuno Geada, 1999
Estou aqui sentado, à espera de um cacilheiro, de regresso a casa, justamente a pensar que a vida é uma viagem, uma travessia entre margens - umas de onde partimos... outras para as quais voltamos.
Hoje regresso a casa.
Regresso com 12 anos de bagagem. 12 anos de Amor a uma Casa. 12 anos de Amor a uma Causa.
Um duodécuplo de ciclos completos de aprendizagem junto a uma Família que será sempre, e também, a minha.
Convosco aprendi que Amar é sobretudo cuidar, respeitar, olhar como quem quer realmente ver, acreditar, abraçar.
E é por voltar para esta outra margem, coberto de abraços, cuidado no regaço de uma Fraternidade, respeitado pelo respeito que vos tenho, que não queria partir sem vos dizer:
- Amo-vos
- Acredito fervorosamente no vosso talento
- Peço humildemente perdão pelas minhas falhas, sobretudo a quem não soube alimentar
- Lamento não ter tido energia e tempo para cumprir o que ficou por realizar
- Agradeço apaixonadamente a vossa Amizade - e, se não vos disse, aproveito também para vos assegurar que é um vínculo para a vida inteira
- Espero ansiosamente o próximo reencontro :)
- Bem sei que mudei de margem, mas o malhado mas ainda bem conservado casco é afinal o mesmo...
- Que vos acho impressionantemente bonitos, bonitas, por dentro e por fora
- Que já tenho saudades dos sorrisos, lindos olhitos e beijinhos sem fim
... E quem pensava que esta era uma carta de adeus, quero assegurar que se trata apenas de um bilhete de até breve, noutros jardins, noutros abrigos.
Afinal viajo apenas num cacilheiro, não sou homem para transatlânticos ...
E digam lá - quem me conhece - posso lá eu ser feliz sem andar sempre por perto dos meus, de quem mais amo.
Até logo, em qualquer outra viagem,
com eterno carinho e ternura!
Nuno